Chuvarada contínua entre domingo e segunda (09 e 10/02) – que gerou o caos na Capital – também afeta cidades do Alto Tietê

Chuva forte caiu em SP e cidades à oeste. Mesmo assim, no Alto Tietê houve problemas. Mogi das Cruzes entra em alerta para alagamentos

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A chuva contínua que começou ainda na tarde deste domingo (09/02), se estendeu pela madrugada e continua no para e volta nesta segunda-feira (10/02) causou um verdadeiro caos na Capital paulista e em cidades que ficam no setor Oeste da Grande São Paulo. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que é o segundo maior volume de chuvas para fevereiro em mais de 77 anos.

Mas essa chuvarada também gerou problemas no Alto Tietê – região com dez municípios, que ficam na porção leste da Região Metropolitana. Em Mogi das Cruzes, o segundo maior volume de chuva em 77 anos deixa cidade em estado de alerta para alagamentos (leia mais abaixo).

Leia também – Condemat reprova fechamento de comportas do Tietê na Penha

As chuvas fizeram o Tribunal de Justiça do Estado suspender o expediente desta segunda-feira e o Rio Pinheiros atingir o maior nível dos últimos 15 anos. A chuvarada invadiu garagens de prédios, cobriu carros e isolou moradores de condomínios.

Logo cedo, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodizio de carros e caminhões, tamanho era o caos. Segundo especialistas, pelo menos há 37 anos que não se via tanta água em tão pouco tempo (em menos de 24 horas) e em tantas cidades da Grande São Paulo e interior do Estado.

Em poucas horas os rios Tietê e Pinheiros, que cortam a Capital paulista, transbordaram em várias áreas e paralisaram o tráfego das duas avenidas marginais. Para piorar, essa chuva toda só deve diminuir de intensidade a partir de quarta-feira (12/02).

De acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo (Cgesp), a tendência para esta segunda-feira é de que o tempo permaneça fechado e chuvoso. A previsão indica que as precipitações devem se intensificar até as primeiras horas da tarde. O órgão alerta ainda para a alta probabilidade de ocorrerem alagamentos e deslizamentos de terra em áreas de risco.

“Choveu em São Paulo 113 milímetros até por volta das 9h, quase metade da média de 250 milímetros para o mês”, informou o meteorologista Marcelo Schneider, do Inmet.

Atualizado às 13h desta segunda-feira, os dados do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo é que  foram registradas 796 solicitações na Grande São Paulo referente enchentes, além de 140 para desabamentos/ desmoronamento e outras 120 para quedas de árvores – um número jamais visto segundo o capitão Palumbo, porta-voz dos bombeiros paulistas. Ao todo, o Corpo de Bombeiros atendeu mais de 4 mil chamados. O helicóptero Águia resgatou uma pessoa na Marginal Tietê e também atende chamados em Barueri e Carapicuíba.

A Polícia Federal também cancelou o atendimento ao público na Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo. “Os requerentes de passaporte e estrangeiros com agendamento programado para a data de hoje poderão retornar até o dia 28 de fevereiro, sem necessidade de reagendar o seu atendimento.”

Rio Pinheiros

O nível do Rio Pinheiros é o maior nos últimos 15 anos, informou o Departamento de Águas e Energia Elétrica. Segundo o governo do estado de São Paulo, o nível acumulado de chuva que atingiu a capital paulista superou a média esperada para todo o mês de fevereiro, durante apenas três horas de precipitação, com 100 milímetros de chuva. A Defesa Civil recomenda que as pessoas fiquem em casa.

m nota, o Governo do Estado informou que retirou sedimentos do leito do Pinheiros equivalentes a 28 mil caminhões basculantes. Também houve a retirada de 9 mil toneladas de lixo das águas.

“Na capital, o rio Tietê possui 53 bombas sob responsabilidade do Daae (Departamento de Águas e Energia Elétrica) que passam por manutenção semanal. Em 2019, o desassoreamento foi feito ao longo de 44 quilômetros do rio e retirou mais de 400 mil toneladas de sedimentos como areia e argila em 2019, com investimento de R$ 49 milhões. Em 2020, está previsto investimento de mais R$ 20 milhões para ações, especialmente no Alto Tietê”, diz a nota.

 

Alto Tietê

No Alto Tietê, as chuvas continuas também trouxeram problemas, bem menos que na Capital e em municípios ao Oeste de São Paulo. Por aqui os problemas maiores foram registrados em Ferraz de Vasconcelos, onde até os trens da Linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Em Itaquaquecetuba, a Vila Japão – localidade em que basta chover para apresentar problemas – também registrou alagamentos, além da Vila Sônia, Vila Maria Augusta, Parque Piratininga, Jardim Fiorello e também na Estrada do Bonsucesso.

Em Suzano, ruas do Miguel Badra, incluindo o Monte Cristo entre outras localidades, também ficaram alagadas.

Também foram registrados problemas de alagamentos em Biritiba Mirim, especialmente na Vila Santo Antônio e Pomar do Carmo. e em Guararema – no Maracatu e Valparaíba (bairros que ficam á beira da Rodovia Presidente Dutra, a BR-116), além de duas árvores que caíram nesta última cidade.

Município Local Chuva em 24h (mm)
Osasco Rochdale 186.4
Santana De Parnaíba Alphaville 181.2
Cajamar Água Fria 173.2
São Paulo Lapa 162.2
Caieiras Vila Angelica 160.1
Jandira Centro 148.6
Guarulhos Jardim Adriana 146.2
Itaquaquecetuba Vila Bartira 143.4
Taboão Da Serra Parque Assunção 132.0
Santo André Paranapiacaba 131.5
Cotia Santa Isabel 128.0
São Bernardo Do Campo Riacho Grande 126.7
Francisco Morato Jardim Primavera 125.6
Ferraz De Vasconcelos Jardim Renata 124.6
Carapicuíba Altos da Santa Lúcia 121.4
Franco Da Rocha Parque Paulista 116.8
Poá Vila Júlia 112.0
Mairiporã Estrada da Roseira 110.4
Rio Grande Da Serra Centro 109.9
Suzano Rio Tietê 109.8
São Caetano Do Sul Mauá 99.3
Diadema Jardim Santa Cândida 88.2

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Segundo maior volume de chuva em
77 anos deixa Mogi das Cruzes em
estado de alerta para alagamentos

 

DE MOGI DAS CRUZES  – A Prefeitura de Mogi das Cruzes está em estado de atenção máxima por conta do grande volume de chuva registrado entre a noite de domingo (09/02) e esta segunda-feira (10/02) nas cidades ao longo do Rio Tietê na região. Apesar de não terem sido registradas ocorrências durante a noite e madrugada em Mogi, com o fechamento das comportas da Barragem da Penha, na Zona Leste de São Paulo, poderão acontecer alagamentos em bairros ribeirinhos da cidade durante esta tarde.

“O volume de águas acumulado na Barragem da Penha é tão grande que está passando por cima das comportas. Toda a nossa Defesa Civil está monitorando de perto a situação do Tietê em Mogi das Cruzes e dos afluentes, como o rio Jundiaí, que já estavam com níveis bem elevados antes mesmo de toda essa chuva que caiu”, destacou o prefeito Marcus Melo.

Entre a noite de domingo e a manhã desta segunda-feira, a chuva acumulada na Capital chegou a 110 milímetros. O Instituto Nacional de Meteorologia informou que é o segundo maior volume de chuvas para fevereiro em mais de 77 anos.

“Estamos em contato permanente com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente para que as cidades da região sejam informadas imediatamente sobre qualquer manobra técnica nas represas que possam provocar transtornos nas cidades da Região”, afirmou o prefeito.

Em Mogi das Cruzes, o nível de chuva entre as 19 horas de domingo e as 7 horas desta segunda-feira foi de 36,6 mm, de acordo com o ponto de medição do DAEE, na Ponte Grande. O nível do rio Tietê, às 7 horas, era de 3,30 metros no mesmo ponto de medição. No início da tarde, o nível chegou a 3,59 metros.

Desde o dia 1º de dezembro, está em andamento a Operação Verão, coordenada pela Defesa Civil, com a participação de secretarias municipais, órgãos estaduais e empresas concessionárias. Durante a Operação Verão, a prioridade é o atendimento a ocorrências causadas pelas chuvas, bem como o monitoramento de áreas de risco e ribeirinhas.

Os telefones para emergências são o 199, da Defesa Civil, e o 153, da Central Integrada de Emergências Públicas (Ciemp).

 

 

Em sua página, o Cgesp lista recomendações de segurança que devem ser adotadas pela população:

– Evite transitar em ruas alagadas

– Se a chuva causou inundações, não se aventure a enfrentar correntezas

– Fique em lugar seguro. Se precisar, peça ajuda

– Mantenha-se longe da rede elétrica e não pare debaixo de árvores. Abrigue-se em casas e prédios

– Planeje suas viagens, para que haja menor possibilidade de enfrentar engarrafamentos causados por ruas bloqueadas

– Em caso de dúvida sobre vias bloqueadas, ligue para a central de atendimento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) no número 156 ou entre no site da CET para saber como está o trânsito nas principais vias.

 

RELEMBRE O DILÚVIO QUE ATINGIU, PRINCIPALMENTE, MOGI DAS CRUZES, NO DIA 8 DE JANEIRO