Câmara não vai abrir CEI para apurar denúncias de corrupção que levou vereadores e assessores à prisão. Salários deles são suspensos

Em vez de investigar, Câmara pediu documentos para a Prefeitura e suspendeu salários dos vereadores envolvidos e vai exonerar assessores

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – A reunião de 20 minutos no Plenarinho, que interrompeu a sessão ordinária da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes na última terça-feira (08/09) não deu em nada. Na sessão dia seguinte, nesta quarta-feira (09/09), os vereadores, em outra reunião interna, decidiram não abrir uma Comissão de Inquérito (CEI) para apuras as denúncias do Ministério Público que geraram o pedido de prisão de seis vereadores – cinco já cumpridos – de empresários e de funcionários do Legislativo.

Na Operação “Legis Easy”, do Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio da Promotoria do Patrimônio Público, são investigadas suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveriam os parlamentares, empresários, empresas e assessores de vereadores. Clique e veja a íntegra da denúncia do Ministério Público, aceita pela 3ª Vara Criminal do Fórum de Mogi das Cruzes.

Dos seis vereadores com mandados de prisão expedidos pela Justiça, apenas um ainda está foragido, Antonio Lino da Silva (PSD). Além dele, ainda não foram cumpridos mandados contra o filho do vereador Chico Bezerra (PSB), que segue em prisão preventiva domiciliar por questões de saúde, e da empresária Carla Bento.

No CDP (Centro de Detenção Provisória) de Mogi das Cruzes, no Taboão, estão desde a terça-feira (08/09)  os empresários Carlos César Claudino de Araújo, o Cézinha, irmão do vereador Mauro Araújo, Willian Casanova (empresário e consultor de assuntos governamentais da Câmara de Mogi), Joel Leonel Zeferino, , além de André Alvim de Matos, o Gordão, assessor do vereador Diego de Amorim Martins (MDB), o Diegão.

No Complexo Prisional de Tremembé, no Vale do Paraíba, estão desde a manhã da quarta-feira (09/09) os vereadores Jean Lopes (PL), Diego de Amorim Martins, o Diegão, (MDB), Carlos Evaristo da Silva, o pastor Evaristo (PSB) e Mauro Araújo (MDB).

 

Ao invés da CEI…

Ao invés da CEI, a Câmara Mogiana informou que nesta quinta-feira (10/09) será encaminhado ao prefeito Marcus Melo, um Requerimento assinado por todos os vereadores, solicitando ao chefe do Executivo que envie cópias, na íntegra, de todos os contratos, processos administrativos e editais relacionados com as investigações do Ministério Público, para que sejam tomadas as medidas necessárias.

Nesta quarta-feira, a Câmara Municipal de Mogi das Cruzes informou que recebeu do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), na tarde da última sexta-feira (04/09), uma determinação para o afastamento do vereador Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho (PSB) de suas funções, em razão de prisão preventiva na modalidade de prisão preventiva domiciliar.

Na manhã desta quarta (09/09), o TJ-SP comunicou a Câmara mogiana sobre o cumprimento dos mandados de prisão preventiva dos vereadores Mauro Luís Claudino de Araújo (MDB), Carlos Evaristo da Silva (PSB), Jean Carlos Soares Lopes (PL), Diego de Amorim Martins (MDB), e dos funcionários Willian Casanova (consultor para assuntos governamentais – lotado na Administração) e André Alvim de Matos Silva (chefe de gabinete parlamentar – lotado no gabinete do vereador Diego de Amorim Martins).

Ainda segundo a Câmara, no comunicado do TJ-SP não houve menção ao vereador Antonio Lino da Silva (PSD), que também é averiguado no processo e, segundo informações, encontra-se foragido.

O presidente Rinaldo Sadao Sakai (PL) determinou que fossem adotadas as medidas necessárias para que sejam suspensos os pagamentos dos subsídios dos referidos vereadores a partir da data da determinação das prisões preventivas, bem como dos funcionários detidos, os quais serão exonerados de seus cargos a partir de hoje (quarta, 09/09).

O comunicado da Câmara é finalizado com a afirmação de que o Legislativo se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações no processo que segue sob sigilo judicial.

 

Enterro simbólico

Pelo segundo dia consecutivo, a quarta-feira (09/09) foi marcada por mais protestos na frente do prédio da Câmara de Mogi. Com palavras de ordem e cartazes, eles pedem a cassação dos vereadores envolvidos na denúncia do Ministério Público e levaram, desta vez, até um caixão improvisado, num enterro simbólico dos parlamentares. No dia anterior, terça (08/09), os manifestantes lavaram as escadarias do prédio num ato de “limpar a corrupção”.