Antropoceno: vídeo mostra os efeitos da ação do homem sobre a Terra

 

DA EQUIPE eCYCLE –  Você sabe o que é antropoceno? Antropoceno é uma nova era geológica. Segundo cientistas defensores da nova era geológica, a influência humana impactou permanentemente o planeta Terra a ponto de justificar a criação de uma nova era geológica.

 

Um comitê de especialistas aprovou, num congresso encerrado no início de setembro, na África do Sul, uma moção para fazer nada mais, nada menos do que iniciar um novo período geológico. Em 29 de agosto, o Grupo de Trabalho sobre o Antropoceno (AWG, na sigla em inglês) votou no Congresso Mundial de Geologia pelo encaminhamento do pedido de oficialização do Antropoceno, após sete anos de pesquisa.

 

Terra em um novo momento geológico

 

O termo, cunhado pelo Nobel de Química Paul Crutzen, em 2000, defende que o planeta está em um novo momento geológico, a “Idade do Homem”. A época sucederia o Holoceno, no qual vivemos desde o fim da última era glacial, há cerca de 12 mil anos. Para os cientistas que defendem a mudança para o Antropoceno, a influência humana sobre o planeta teria impactado permanentemente a Terra a ponto de justificar a adoção de uma nova época geológica que caracterize sua atividade.

 

“A humanidade, uma espécie como nunca outra houve, num curtíssimo espaço de tempo na escala de evolução da Terra alterou profundamente os ciclos naturais e deixou uma marca tão notável que está visível no registro de camadas de rochas e o estará pela eternidade deste planeta”, afirmou o climatologista Carlos Nobre, único pesquisador brasileiro do AWG.

 

 

Entre as evidências que podem justificar a definição do Antropoceno estão o aumento da dispersão de substâncias radioativas no planeta, após os diversos testes com bombas nucleares, e as mudanças climáticas. “A rápida introdução de gás carbônico na atmosfera nos últimos 200 anos, especialmente mais rapidamente nas últimas décadas, já aparece como um sinal, por exemplo, em material depositado no fundo do oceano ou nas bolhas de ar aprisionadas nas geleiras da Antártida”, explicou Nobre.

 

 

“O material biológico depositado no fundo do oceano começou a registrar mudança no balanço de isótopos estáveis do carbono [elementos cuja distribuição natural reflete a história dos processos físicos e metabólicos do ambiente] pela dissolução do CO2. Nas geleiras da Antártida, na parte mais alta e fria do lado oriental, menos sujeita a derretimento, as bolhas de ar das camadas recentes de neve mostram os valores mais altos do último milhão de anos”, exemplifica.

 

 

Em 2015, o mundo fechou o Acordo de Paris para definir objetivos e medidas práticas para conter mudanças como as citadas pelo grupo de cientistas. “Num certo sentido, o acordo sinaliza o reconhecimento quase que unânime entre os países do mundo que é necessária uma urgente mudança em nível global para alterar a velocidade com que a humanidade está interferindo com os ciclos naturais do planeta. O desafio é estabilizar o sistema climático em curto intervalo de tempo, o que talvez seja o maior obstáculo que a humanidade coletivamente já enfrentou”, disse Nobre.

 

 

Para os cientistas do AWG, o próximo passo rumo à oficialização da nova época geológica é definir os marcadores e uma data que será considerada como início da época do homem. Para que o Antropoceno seja de fato declarado realidade, a recomendação do grupo precisa ser aprovada oficialmente e ratificada por vários órgãos acadêmicos, o que pode levar alguns anos.

 

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Animação mostra a influência humana no planeta

 

Um vídeo (abaixo, em inglês) demonstra cronologicamente as transformações no planeta provocadas por influência de nossa espécie. Chamado de “Welcome to the Anthropocene”, o filme traça o crescimento da humanidade como uma força global em escala equivalente aos principais processos geológicos. A tradução de seu título: “Bem vindo ao antropoceno” refere-se as provas sobre os significativos impactos globais das atividades humanas sobre os ecossistemas da Terra, fruto de uma perspectiva antropocêntrica e limitada que vimos adotando ao longo do processo “evolutivo” de nossa civilização.

 

 

É uma animação bem produzida com cerca de três minutos em que a narradora parte do nascer da sociedade industrial inglesa, meados do século XVIII,  ano de 1750, descreve o desenvolvimento da Revolução Industrial e seus efeitos culminando com as mudanças do pós-segunda guerra mundial, por volta de 1950, com ênfase na emergência de aspectos como globalização, marketing, turismo e enormes investimentos que apoiaram o rápido crescimento populacional. Descreve a ampliação do acesso à saúde, segurança e os efeitos positivos sobre o substancial aumento da longevidade humana dentre muitos outros progressos que o acelerado processo de desenvolvimento foi capaz de trazer.

 

Entretanto, com o crescimento exponencial da população e do consumo dos recursos naturais, o planeta tem sofrido e o vídeo aponta esses efeitos, lembrando que os níveis dos gases de efeito estufa estão altos, as temperaturas aumentando, a biodiversidade está sendo perdida, o nível do mar subindo, a acidificação dos oceanos como uma real ameaça e muitas outras consequências da ação de nossa espécie.

 

 

Ao final, a narradora ao mesmo tempo em que cita o crescimento da população mundial que deve chegar a nove bilhões, também passa uma mensagem de que nós moldamos nosso passado e presente e que somos capazes de moldar nosso futuro, pois somos a primeira geração a perceber essa nova responsabilidade, de cuidar do “nosso” planeta para as futuras gerações.

 

 

O curta-metragem foi encomendado pela conferência Planet Under Pressure e apresentado no início da cúpula Rio+20 United Nations Conference on Sustainable Development, pelo secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

 

O vídeo foi produzido pela organização Globaia, juntamente com a International Geosphere – Biosphere Programme (IGBP), a Stockholm Resilience Centre (SRC) e a Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization (CSIRO).