Operação contra a lavagem de dinheiro do PCC chega a Arujá e Mogi das Cruzes, envolve uma prefeitura e empresa

Clínicas eram usadas pelo PCC para atender bandidos feridos no confronto com a polícia. Líder tinha negócios com prefeituras da região

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE- Uma operação da Polícia Civil de Guarulhos cumpre, desde as 5h da manhã desta quarta-feira (03/06), mandados de busca e apreensão em uma investigação que apura a lavagem de dinheiro e organização criminosa em 11 cidades, incluindo a Capital e, no Alto Tietê, as cidades de Arujá e Mogi das Cruzes.

A operação “Soldi Sporchi” (Dinheiro Sujo). teve como alvo clínicas de saúde(médica e odontológica)  que eram usadas por criminosos para lavagem de dinheiro e atendimentos médicos clandestinos para membros do PCC – Primeiro Comando da Capital, facção criminosa que age dentro e fora dos presídios não só no Brasil, mas também no exterior, quando eram feridos em confronto com a polícia.

A polícia cumpre 60 mandados de busca e apreensão e 22 de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento em lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O ex-secretário de segurança de Arujá, advogado Carlos Roberto Vissechi, foi detido. Ele deixou o cargo no dia 3 de abril. A prefeitura de Arujá deve instaurar uma sindicância interna para apurar as ações e contratos autorizados pelo detido durante o período que permaneceu no cargo, e fez questão de dizer que “ele não integra mais o quadro de funcionários de confiança do prefeito.  Na casa dele, a polícia teria apreendido R$ 123 mil em dinheiro, além de quatro armas, o que o levou a prisão em em flagrante por porte ilegal desse armamento.

Sobre Vissechi, por volta das 14h, o vereador da cidade, Renato Caroba, cobrou posicionamento da Prefeitura de Arujá sobre essa megaoperação da Polícia Civil. Em um vídeo postado pelo parlamentar em suas redes sociais, ele frisa” que entre os alvos estão pessoas ligadas ao atual governo, e que sse grupo usava organizações sociais junto à prefeitura para lavar dinheiro, por meio de contratos com serviços públicos”.

Segundo o delegado Fernando José Góes Santiago, assistente do 4º Distrito Policial de Guarulhos – e coordenador da operação, o ex-secretário facilitava a abertura de empresas de fachada para os criminosos do PCC realizarem lavagem de dinheiro, proveniente de supostas ações ilegais.

 Foram capturados dez homens e duas mulheres e apreendidos 11 veículos, incluindo modelos de luxo, além de uma carretinha e um jet sky. Três armas, munições e dois carregadores de armas também foram recolhidos na ação, além de R$ 392,2 mil em dinheiro nacional e valores em moedas estrangeiras.

Segundo o delegado Fernando Santiago, foram apreendido ainda joias, bijuterias e mais de 900 relógios, além de documentos e anotações diversos. Na operação os agentes encontraram e apreenderam ainda 32 celulares, 23 pen drives, 11 notebooks, três computadores, cinco Ipads, três tablets, um Mac Book, um Ipood, sete CPUs, dois videogames, quatro HDs externos, três CD’s, cinco chips telefônico, três máquinas fotográficas, cartão de memória, máquina de cartão, um DVR, além de uma uma central de monitoramento com câmeras.

Em Mogi das Cruzes

Em Mogi das Cruzes, a  “Soldi Sporchi” (Dinheiro Sujo) prendeu um dos sócios da empresa de coleta de lixo Center Leste, instalada em um escritório num prédio comercial ao lado do Mogi Shopping. De acordo com o delegado Fernando Santiago, esse homem atuava em associação com um dos responsáveis pelo esquema de crimes. “A limpeza pública urbana em Arujá era feita pela empresa dele, que inclusive já foi condenado por tráfico internacional de drogas e teve mandado expedido pela Interpol – a Polícia Internacional”, acrescentou Santiago.

Prefeituras

Além de lavar dinheiro em cerca de 60 clínicas médicas e odontológicas, o PCC também teria “negócios” com prefeituras do Alto Tietê. De acordo com a polícia, o líder da quadrilha fundou empresas e por meio dela fechou negócios nas áreas de limpeza urbana, coleta de lixo e combate à dengue, além de participar  dde organizações sociais, com o objetivo de facilitar contratos com a gestão municipal para a administração de hospitais e escolas públicas.

Segundo o delegado Santiago, “através dos contratos celebrados, a organização criminosa conseguiu repasse de milhões de reais provenientes do erário público”.

Prefeitura de Arujá emite nota

Em nota, a Prefeitura de Arujá, que tem como prefeito José Luíz Monteiro (MDB), afirmou que vai instaurar uma sindicância interna para apurar a ações do suspeito, durante o período em que ele ocupou as pastas de Assuntos Jurídicos e de Segurança Pública, e que está a disposição da Justiça para qualquer esclarecimento. E frisou, novamente, que desde o início de abril ele não integra mais o quadro de secretariado do Executivo Municipal.

 

A operação

De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram há sete meses, quando foram apreendidas oito pistolas calibre 9 milímetros e dez fuzis. Três desses fuzis seriam de artilharia antiaérea e três metralhadoras. Com a apreensão, os policiais descobriram a existência de uma organização criminosa que estaria relacionada a crimes de roubos de instituições financeiras, utilizando artefatos explosivos, e crimes de tráfico de drogas. A polícia identificou ainda, o líder da facção, que seria um criminoso procurado pela Justiça e condenado por crimes de tráfico, inclusive um de caráter transnacional.

O líder, que até o momento não teve a identidade revelada, seria proprietário de clínicas de saúde, que foram criadas para a prática de lavagem de dinheiro, além do auxílio médico para membros da facção, familiares e pessoas próximas.

Ao todo, a operação que começou no fim da madrugada desta quarta-feira (03/05) e se estendeu até a tarde contou com 350 policiais civis, 100 viaturas e apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os mandados são cumpridos na Capital e em outros 11 municípios – dois deles do Alto Tietê.

Vídeo mostra operação da Polícia Civil, com o apoio de helicóptero, em um condomínio de luxo de Arujá, residência de um dos suspeitos

 

Polícia Civil tenta prender 22 pessoas envolvidas com facção criminosa em SP
Um dos presos da Operação da Polícia Civil deflagrada nesta quarta-feira, dia 3 – Reprodução Record TV