28 anos depois, história de que sertanejo Aladim foi enterrado vivo volta à tona em Mogi

Sertanejo mogiano morreu em outubro de 1.992, mas até hoje há quem diga que ele foi enterrado vivo

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE * – Um dos maiores medos das pessoas é ser sepultado vivo, por conta, por exemplo, de uma catalepsia. Pois bem. Em 1° de outubro deste ano de 2.020, fez 28 anos do sepultamento em Mogi das Cruzes do cantor sertanejo José Nascimento Cardoso, da dupla Alan e Aladim (à direita na foto acima), e até hoje ainda há quem acredite que ele sofria desse mal e que foi enterrado vivo. Problemas dentários o levaram a mesa de cirurgia o cantor teria contraído uma infecção após uma anestesia.

Para quem não sabe, a catalepsia é uma doença rara em que os membros se tornam rígidos, mas não há contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A pessoa fica o tempo todo consciente e quem passa por ela pode ficar horas nesta situação. Dessa forma, pode ser confundida com a morte, pois a respiração e o coração também param, podendo durar desde alguns minutos até dias.

Cardoso, o Aladim, sofreu uma parada cardíaca enquanto passava por uma cirurgia nos dentes e anos depois do sepultamento começaram os rumores de que ele sofria de catalepsia e que teria sido sepultado vivo, boato que anda sobrevive em Mogi e região, mesmo passadas quase três décadas.

Pelas ruas pelo distrito mogiano de Braz Cubas, os mais antigos desconfiam que o cantor realmente possa ter sido sepultado vivo. “Tenho o maior medo de que isso aconteça comigo”, disse a dona de casa Maria do Rosário Campos. Sua vizinha, Arlete Silva, compartilha da mesma opinião. “A gente ouve tantas histórias parecidas pelo mundo afora, por que não teria acontecido o mesmo com o Aladim”, pergunta.

O cinegrafista, técnico de som e sonoplasta Roberto Pereira, que atua na Rádio Metropolitana AM de Mogi, lembra que o cantor morava no bairro da Vila Jóia, no distrito de Braz Cubas. Após problemas de saúde, que o levara à mesa de cirurgia, ele foi dado como morto e, anos depois do sepultamento, o túmulo dele estava remexido. “Com isso, o pessoal achou que realmente ele não tinha morrido e o que se comenta até hoje é que ele não morreu, mas foi dado atestado de óbito e tempos depois, quando são retirados os restos mortais, contam que o corpo não estava na posição habitual de como as pessoas são enterradas”, lembra. “Essa é a história que a gente conhece”.

Elias do Queijo, apresentador do programa Sertão em Destaque, também na Metrô AM de Mogi, mora em Guararema, município vizinho, mas também conhece essa história. “O que eu sei é que o Aladim foi enterrado, mas parece que tinha uma doença e teria sido enterrado vivo. Isso é o que todo mundo fala, mas eu não posso dizer que isso é uma verdade, apenas a gente escuta essa história pela boca de muitas pessoas”, lembra. Recentemente, Elias apresentou um show com a dupla, que tem o Alan e um novo integrante. “Eu poderia ter perguntado ao Alan, mas acabei não fazendo isso. Numa próxima oportunidade vou falar com ele sobre esse assunto”.

Como surgiu o boato

Assim como Roberto e Elias, e moradores antigos de Braz Cubas e de outros bairros da cidade, muita gente compartilha essa desconfiança. Mas afinal, como surgiu esse boato?

Morto em uma cirurgia no dia 1° de outubro de 1992, após ser vítima de uma parada cardíaca enquanto passava por uma cirurgia nos dentes, o cantor foi enterrado no Cemitério da Saudade, na Vila Lavínia, e sempre recebe visitas de muitos curiosos. Afinal, figura célebre sepultada lá só mesmo o sertanejo.

A boataria teve início quando surgiu a história de que seu cadáver teria sido encontrado de bruços. A tampa do seu caixão, na parte interna, estaria cheia de arranhões, e que em suas unhas havia vestígios, farpas de madeira, como se tivesse acordado – voltado à vida após o sepultamento – e se dado conta de que estava há pelo menos sete palmos do chão e aí morreu por insuficiência respiratória quando tentava sair do caixão lacrado.

Há quem diga, ainda, que no velório, que foi muito simples para quem tinha chegado á fama, houve quem viu Aladim se mexer no caixão, mas isso também não foi confirmado.

Ninguém da família de Aladim confirma essas histórias, e nem que pediram uma exumação do corpo dele, quando teriam constatado sua posição diferente da que havia sido sepultado e os arranhões por dentro da tampa do caixão. Mas boato quando aparece voa mais rápido que avião a jato e, muitas vezes, persiste por toda a vida.

Trajetória

José Nascimento Cardoso, o Aladim (primeira voz), nasceu em Visconde do Rio Branco (MG) no ano de 1956 e faleceu em 1992 em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

A dupla Alan e Aladim foi originalmente concebida a partir de um fato inusitado, no ano de 1976, quando durante um concurso de calouros, o até então José Nascimento Cardoso, deu nota zero a Alan por seu desastroso desempenho no palco.

Aladim teve outras duplas com outros parceiros antes de formar dupla com Alan e tocou quatro anos com João Mineiro e Marciano. Alan e Aladim gravaram o seu primeiro LP no ano de 1981, pela gravadora CBS/Sony Music com ajuda de Marciano (João Mineiro e Marciano).

Na época a CBS estava investindo na área sertaneja, contudo fecharam seu departamento sertanejo e eles viram-se novamente sem gravadora. Mais uma vez Marciano os apoiou, levando a dupla para a Copacabana onde permaneceram até o último LP. Em seu 1º LP pela nova gravadora fizeram sucesso com a música “Parabéns amor “,mesmo assim ficaram quase três anos sem gravar.

Gravam mais três álbuns, sendo um no ano de 1987 que vendeu quase um milhão de cópias e os consagrou em todo Brasil, um segundo no ano de 1989 que vendeu 200 mil cópias, cinco meses depois já haviam vendido 500 mil repetindo o sucesso do disco anterior e ainda o último álbum da formação original, que emplacou o sucesso “Remédio ou Veneno”, no ano de 1991.

Veja vídeo do Canal Dudu Purcena – Alma Sertaneja sobre a dupla

 

Galeria de fotos do cantor Aladim

*Com a colaboração de Marcelo Arruda