Dois estelionatários são presos em Suzano e Ferraz após tentarem sacar cheques em nome da viúva do terrorista Carlos Marighella

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Policiais militares do do 32º Batalhão de Policia Militar Metropolitano prenderam em flagrante dois homens, nesta terça-feira (20/02), que tentavam descontar dois cheques utilizando o nome de Clara Charf, 95 anos, viúva do terrorista comunista Carlos Marighella. O caso ocorreu em duas cidades do Alto Tietê – Suzano e Ferraz de Vasconcelos. O Alto Tietê é uma região com dez cidades, que ocupa a faixa leste da Grande São Paulo. Os cheques, somados, ultrapassavam os R$ 8,9 mil (veja foto acima).

De acordo com a polícia, os criminosos foram até uma agência do Banco do Brasil, em Suzano, onde tentaram descontar um dos cheques. Como a assinatura não conferia com a que havia no registro da instituição, funcionários desconfiaram e a polícia foi chamada. Antes, porém, e por cautela, os funcionários do BB fizeram contato com sua procuradora que afirmou não ter emitido nenhum cheque em nome da idosa.

Os funcionários da agencia disseram que minutos antes, por volta das 13h, um indivíduo havia tentado descontar um cheque, da mesma titular, no valor de R$ 4 mil e apresentou um documento de CNH e que, por procedimentos de segurança do banco, foram feitas cópias da cédula e do cheque. O suspeito saiu da agencia antes do final dos procedimentos sem sacar o valor.

Enquanto os policiais apresentavam a ocorrência em Suzano, PMs de Ferraz de Vasconcelos foram acionados para atenderem ocorrência com o mesmo modo operandi e detiveram no interior da agência o suspeito, que horas antes havia tentado descontar o cheque usando a cédula de CNH em Suzano.

Um dos homens, Robson Veloso Lima, foi preso na própria agência suzanense, já o outro, Leandro Marques Pereira, fugiu e ainda tentou sacar um dos cheques em uma agência do banco em Ferraz de Vasconcelos, cidade vizinha. Lá ele também acabou preso.

Sobre a origem da folha de cheque o infrator afirmou que recebeu como forma de pagamento da venda de um equipamento de som e que a transação ocorreu por meio de aplicativo de rede social e que não tinha os dados do comprador.

A viúva do guerrilheiro Clara Charf (foto abaixo), que teve os dados bancários clonados, compareceu à Delegacia Central de Suzano e reconheceu a fraude nas assinaturas. R$ 4 mil e o outro de R$ 4.980,00.

A dupla foi encaminhada para o Distrito Central de Polícia Civil de Suzano, onde foram presos em flagrante por estelionato e permaneceram à disposição da Justiça.

Quem foi o guerrilheiro comunista Carlos Marighella

Carlos Marighella, nascido em 5 de dezembro de 1911 em Salvador, e morto em 4 de novembro de 1969 em São Paulo, foi um político, escritor e guerrilheiro comunista marxista-leninista. Foi um dos principais organizadores da luta armada contra o regime militar, que perdurou entre 1964 e 1985 no Brasil. Ele chegou a ser considerado o inimigo “número um” dos militares. Foi cofundador da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização de caráter revolucionário

Com o recrudescimento do regime militar, os órgãos de repressão concentraram esforços em sua captura. Na noite de 4 de novembro de 1969, Marighella foi surpreendido por uma emboscada na Alameda Casa Branca, na Capital paulista. Ele foi morto a tiros por agentes do DOPS, em uma ação coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. A ALN continuou em atividade até o ano de 1974. O sucessor de Marighella no comando da ALN foi Joaquim Câmara Ferreira, que também foi morto por Fleury no ano seguinte.

 

Fotos: Polícia Militar e Polícia Civil / Divulgação

Clara Charf, viúva do terrorista Carlos Marighella, foi ao DP de Suzano, onde reconheceu a fraude