1º de maio, 25 anos do acidente que matou Ayrton Senna

 

PAULO QUARESMA – DO CORREIO INDEPENDENTE – Manhã de 1º de maio de 1994. Um domingo de sol, mas com ventos fortes. Foi com esse fundo que o Brasil e o mundo assistiu, atônito, ao acidente que matou o piloto Ayrton Senna – o brasileiro que fazia a manhã dos domingos ser feliz.

Exatamente às 9h13, horário do Brasil (14h13 em Ímola), há 25 anos, o narrador Galvão Bueno disse uma frase que paralisou o País e fez com que a maioria dos seus fãs tivesse um frio na espinha percorrendo todo o corpo e até a alma do mais insensível. “Senna bateu forte”.

Na curva Tamburello, no Autódromo de Ímola, na Itália, o piloto de apenas 34 anos bateu forte a sua Williams, e a partir daí foram horas de apreensão desde que o seu carro foi cercado por dezenas de profissionais médicos – chegou a ser coberto, para que imagens não fossem feitas – até a confirmação da sua morte já no hospital.

Foi a 65ª e última vez que Senna largou na pole position, e desta vez abandonou para sempre sua vida nas pistas.

 

Resultado de imagem para capas dos jornais morre ayrton senna

 

A tarde daquele  1º de maio foi uma das mais tristes, pela morte de um ídolo, num país carente deles, um tricampeão mundial de Fórmula 1, que não era apenas o melhor entre os seus, fato reconhecido até por quem não gostava dele e por vários adversários, mas que era um herói, um solitário herói de um país tão machucado naquela época quanto hoje – duas décadas e meia depois.

Até a confirmação da sua morte, noticiada pelo repórter Roberto Cabrini, que com uma voz baixa, grave e carregada de emoção, de uma sala do hospital Maggiore, em Bologna, no interior da Itália disse: Morreu Ayrton Senna da Silva. Uma notícia que a gente nunca gostaria de dar”. Uma frase que silenciou todo mundo de vez. O relógio marcava 13h42 no horário brasileiro.

Textualmente, essa foi a notícia dada por Cabrini no Plantão da Globo, emissora que até hoje detém o direito de transmissão da F1 no Brasil: “Neste momento, a médica María Teresa Fiandri comunica a todos os jornalistas aqui do hospital Maggiore, de Bolonha, que Ayrton Senna da Silva está morto. Morreu Ayrton Senna da Silva. É o comunicado oficial do hospital Maggiore, de Bolonha. Morreu Ayrton Senna da Silva. Uma notícia que a gente nunca gostaria de dar”.

Acabava, ali, os momentos de glória, que eram compartilhados e amados por todos os brasileiros, daquele piloto com o capacete amarelo, com uma faixa azul e outra verde, que fez história em todo o mundo – esportivo e o real. Era o fim físico do gênio que não se envergonhava – muito pelo contrário – de pegar uma bandeira do Brasil e agitá-la, seja de dentro dos seus carros de Fórmula 1, no Pódio ou em qualquer outro lugar.

 

Resultado de imagem para capas dos jornais morre ayrton senna

 

Treinos e Grande Prêmio marcado por acidentes e tragédias

Talvez muitos dos seus fãs não lembrem. Mas até bater na curva Tamburello, Ayrton Senna liderava o GP de San Marino,  terceira etapa da temporada de 1994. O piloto brasileiro buscava os primeiros pontos no Mundial, pois havia abandonado nos GPs do Brasil e do Pacífico. Atrás do piloto brasileiro vinha o alemão Michael Schumacher, da equipe Benneton, quando Senna passou direto na fatídica Tamburello, atravessou a área de escape e se chocou com o muro de proteção a mais de 200 km/h.

Mas os incidentes nesse GP começaram dias antes nos treinos.  Dois dias antes do acidente que matou Ayrton Senna, outro brasileiro, Rubens Barrichello, então na eqipe Jordan, já havia sofrido acidente impressionante em Ímola em um dos treinos livres.

No sábado, véspera do dia fatal para Senna, foi a vez do austríaco Roland Ratzemberger, da equipe Simtek, bater forte e morrer na sessão classificatória.

Sempre preocupado e atento, antes da corrida Senna criticou a pista e foi um dos que denunciou a falta de seguranças para os pilotos.

Na foto abaixo, flagrante de Ayrton Senna correndo para chegar no local do acidente que levou a óbito o piloto Roland Ratzenberger, durante treino classificatório de Ímola, em 30 de abril de 1994. No dia seguinte, em 1 de maio, o piloto brasileiro morreria em um acidente na curva Tamburello.

25 anos depois, muita saudade do ídolo

Neste 1 de maio de 2019 – 25 anos após esse dia trágico, hastags como  foram potencializadas pelo twitter e outras redes sociais.

Naquele longínquo Dia do Trabalho, eu, Paulo Quaresma, era editor-chefe do JBC Notícias, um jornal regional do Alto Tietê, além de atuar no jornalismo e apresentação em uma FM de Guarulhos – emissora que hoje situa-se na Capital paulista, com outra denominação. E me lembro da tristeza no rosto das pessoas. Na edição daquela semana do jornal, as páginas em homenagem a Ayrton, com a repercussão de fãs e não fãs do ídolo.

Morria o piloto, o ídolo, mas nascia o mito, considerado por pessoas de diferentes idades, credos e até gostos por esporte, como o maior ídolo da história de um Pais carente de ídolos com dignidade do tamanho da de Ayrton.

Resultado de imagem para capas dos jornais morre ayrton senna

Resultado de imagem para capas dos jornais morre ayrton senna

Dias, meses e muitos anos de tristeza

Os dias seguintes àquele domingo foram de muita tristeza, luto – pois para muita gente era como se um parente próximo tivesse partido. Foram dia de um torpor coletivo, de um velório que mobilizou São Paulo – a maior cidade brasileira – e o restante do País, de um enterro que deixou como cena simbólica os pilotos carregando o corpo de Ayrton Senna.

Itamar Franco, presidente do Brasil naquele época, decretou luto de três dias, período em que a nação parecia não pensar em outra coisa. Na mídia, nas ruas, Senna era o principal assunto. Nas janelas, tecidos negros simbolizavam o luto.

Fãs se dirigiram até a residência da família do tricampeão, em São Paulo, e lá fizeram uma vigília.

O corpo de Senna chegou ao Brasil na quarta-feira seguinte ao acidente e foi recebido com honras de chefe de Estado. O velório aconteceu na Assembleia Legislativa paulista. E de lá até o sepultamento, Por onde o caixão com os restos mortais do piloto passava, sobre um caminhão do Corpo de Bombeiros, uma multidão estava de pé para um último adeus. Em carro aberto, lentamente, Ayrton ganhava os últimos aplausos de um público que se acostumou a vibrar com as conquistas do brasileiro.

Senna Day marcou este 1º de maio

Hoje, Senna segue em evidência. A McLaren fez um carro para homenageá-lo, que atinge 340 km/h. Homenagens acontecerão por todos os cantos do planeta, do Brasil ao Japão. O nome dele está no topo das buscas do Google. E as vitórias pelas pistas do mundo serão recordadas.

Em São Paulo, o Autódromo José Carlos Pacce, em Interlagos, sediou um 1º de maio repleto de atrações, dedicado a celebrar os 25 anos de legado do maior piloto de todos os tempos. O “Senna Day ” foi um festival completo com atividades esportivas, shows e experiências para toda família, que teve de tudo, como é possível ver no site oficial do evento, o www.ayrtonsenna.com.br/sennaday/