18 de setembro: 70 anos da Televisão no Brasil: 1ª década foi de aventura, improviso e paixão

O dia 18 de setembro marca a primeira transmissão aberta da televisão

 

Luiz Cláudio Ferreira e Leyberson Pedrosa – Agência Brasil – Brasília – Antes das luzes se acenderem e as câmeras ocuparem o estúdio, a ansiedade tomou conta. Será que aquilo iria dar certo? Experiência, os profissionais tinham de rádio. Agora, a novidade era outra. Não bastariam os sons. As imagens também seriam transmitidas ao vivo, um desafio que deixava artistas, apresentadores, jornalistas e técnicos à beira de um ataque de nervos. Não daria, em tese, para cortar. Mas, começar de novo (quantas vezes fossem necessárias). Tudo com a luz ligada e o coração à boca, como revelam os documentos e pesquisadores da história da televisão no Brasil.

O dia 18 de setembro, uma segunda-feira, entrou para a história brasileira como a data da primeira transmissão da TV Tupi, de iniciativa do empresário Assis Chateaubriand (Chatô), em São Paulo. Setenta anos depois, a primeira década, uma era de experimentação, improviso e muita paixão, deixou um legado que excede o pioneirismo. Uma época de valorização da efervescência cultural que o país experimentava. Era a maior emoção daquele ano quando as três câmeras acenderam as luzes para as palavras do ator Walter Forster: “Está no ar a PRF-3-Tv Tupi de São Paulo, a primeira estação de televisão da América Latina”.

Uma história diferente começaria ali naquela noite.

“Quando chega, a televisão tem a seu favor toda a infraestrutura das rádios que já existiam. Os funcionários também tinham a experiência de produção”, afirma o professor Flávio Luiz Porto e Silva, pesquisador de história da televisão no Brasil. Ele explica que foi o amplo conhecimento dos profissionais de rádio que viabilizou a experiência da televisão no Brasil. Naquela noite e todos os outros dias que marcaram aquele início de experiência. “Eles vão aprender fazendo”, afirma o pesquisador.

 

No ar PRF3 - TV, TV Tupi
Inauguração da TV Tupi contou com três câmeras. Uma delas falhou. – Fundação/ Assis Chateaubriand

 

A programação do dia da inauguração incluiu apresentações como da artista cubana Rayito de Sol, da orquestra de Georges Henri, um número do ator Amácio Mazzaropi, e outro de canto de Lia Marques, as notícias de política com o jornalista Maurício Loureiro e até uma celebração com a Canção da TV, cantada por Lolita Rodrigues e Vilma Bentivegna. Os versos da música eram do poeta Guilherme de Almeida (No teu chão, Piratininga/ A cruz que Anchieta plantou: Pois dir-se-á que ela hoje acena/ Por uma altissima antena/ Em que o Cruzeiro poisou/ E te dá, num amuleto, O vermelho, o branco o preto/ Das contas do teu colar/ E te mostra, num espelho/ O preto, o branco o vermelho/ Das penas do teu cocar). Hebe Camargo, originalmente escalada para cantar o hino, ficou afônica. Foi um sucesso, apesar de uma das três câmeras não funcionar na hora da inauguração.

Na prática, a experiência do rádio viabilizou as imagens em movimento. Um rádio com imagens, como salienta o professor e pesquisador Laurindo Leal Filho. “A respeito ao conteúdo a televisão, quase que deu continuidade ao que se fazia no rádio. Eu tenho escrito que a televisão no Brasil teve implementação diferente. Foi o teatro que influenciou bastante o início na Europa. Nos EUA, a TV apoiou-se no cinema”, explica.

“A televisão brasileira, na década de 50, teve um caráter de aventura, com o pioneirismo de seus profissionais desbravando os mistérios do novo veículo”, afirmou o professor Edgard Ribeiro Amorim no livro História da TV Brasileira. Ele explica que os primeiros anos foram marcados por uma “fase de aprendizagem” de como funcionaria aquela nova caixa mágica. Responsáveis pela parte técnica precisaram adquirir maior formação profissional na prática diante da novidade. Um tempo, aliás, sem recursos de buscas imediatas a outras referências, como ocorre no século 21. No campo artístico, os profissionais tinham as práticas da época de rádio, cinema e teatro. “Os recursos técnicos eram poucos, com um equipamento mínimo para manter uma estação no ar”, pontua Amorim.

Uma característica dos trabalhadores brasileiros foi se multiplicar para dar conta do desafio que se apresentava. Entre um programa e outro, os radialistas da Rádio Tupi ocupavam o estúdio da recém-lançada PRF-3 TV Difusora, interpretavam cenas ao vivo e voltavam à sua função no rádio. Essa era a rotina de muitos pioneiros da televisão brasileira, que se iniciou em 1950. Xênia Bier, Alvaro de Moia, Vida Alves e tantos outros nomes dessa trajetória experimental da televisão brasileira já deixaram os palcos da vida.

E na rádio, os brasileiros já tinham os caminhos das ondas. Afinal, desde 1922, graças à iniciativa de Edgard Roquette-Pinto, artistas, jornalistas e outros profissionais conheciam o frio da barriga e a responsabilidade de entender o que era uma transmissão ao vivo. Até 1932, por exemplo, publicidade era proibida em rádio. Somente depois que o veículo se popularizou.

Quando a TV foi ao ar, um novo caminho se iniciava para uma moçada arrojada, já acostumada, por exemplo, em apresentações, jornalismo e radionovelas que encantavam a audiência. Segundo os pesquisadores entrevistados, havia empolgação, mas também dúvida do que a rádio se transformaria ou qual o tipo de impacto teria com a concorrente com imagens. O rádio já era realidade em 80% das casas brasileiras.

Quando a TV chegou ao país (depois da leva dos 200 primeiros aparelhos importados por Chateaubriand), o aparelho estava longe do acesso à população, tanto pelo alcance dos transmissores não irem além de 50 quilômetros, como pelo preço, de cerca de US$ 700. Ainda mais quando foi a própria televisão ter alguma popularização, principalmente depois de 1955. Conforme registra o professor Flávio Luiz Porto e Silva, um aparelho, no começo, custava cerca o equivalente a 30 salários mínimos.

“Com o crescimento nas vendas e a possibilidade de crediário, o número de aparelhos foi crescendo. O próprio processo de popularização aumenta à medida que a década de 1950 avança. Quando chega 1959, o número de aparelhos já é muito grande. E esse número de aparelho significa também audiência. Uma maior popularização vai ocorrer mesmo nos anos 60”, afirma o professor. No começo da década seguinte, já eram 700 mil aparelhos nas casas das pessoas. Era um tempo em que o vizinho ou familiar com televisão chamava a turma para dividir os cantinhos da sala.

 

Sua Vida Me Pertence - primeira telenovela da Televisão Brasileira - TV Tupi-1951. Na foto Vida Alves e Walter Foster.
Vida Alves e Walter Forster em cena da novela “Sua Vida me Pertence”. Eles protagonizaram o primeiro beijo da televisão brasileira, mas o fotógrafo decidiu não registrar por não achar apropriado. Reprodução do livro História da TV Brasileira, de Edgard Ribeiro Amorim. Acervo da AMM.CCSP.

 

As novelas nessa década já eram queridinhas da audiência. Entre o final de 1951 e início do ano seguinte, Sua Vida me Pertence, com a galã Wálter Forster e a estrela Vida Alves, deixou o público curioso em frente ao novo aparelho. “A telenovela, apesar de constante no ar desde 1951, não tinha a duração nem a importância popular das atuais”, explica Edgard Amorim.

Nas artes, atores e cantores experimentaram a partir de 1952 um momento singular de profusão cultural. O programa TV de Vanguarda, na Tupi, estreou no dia 17 de agosto (um domingo), como aponta o professor Flávio Porto. “Era o maior de todos os programas de teatro, que ia ao ar às 21h sempre com atraso e se estendia por duas três horas e às vezes até avançava madrugada adentro. Este programa foi o grande laboratório da televisão”, afirma o pesquisador. Ele explica que produções dos principais nomes da dramaturgia mundial eram encenadas ao vivo pelos atores brasileiros, o que exigia uma performance e estudo inesgotável.

Os diretores inspiravam-se na estética cinematográfica para adequar o conteúdo. O diretor Cassiano Gabus Mendes foi um dos criadores junto com Dermeval Costa Lima. Dionísio Azevedo fazia também parte da direção de espetáculos de autores como Shakeaspeare e Dostoiévski. Em cena, o talento de atores como Bibi Ferreira, Vida Alves Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Lima Duarte e Laura Cardoso. As imagens, claro, ainda em preto e branco carregaram novas cores ao público e à arte brasileira há 70 anos. A década deu um novo sentido ao “está no ar”

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Sonia Maria Dorce, conhecida como

TV brasileira: a cronologia dos primeiros anos; os principais acontecimentos

 

Leyberson Pedrosa e Luiz Cláudio Ferreira – Brasília – São 70 anos de televisão brasileira a contar da inauguração da TV Tupi em 18 de setembro de 1950. Mas a história da TV no Brasil percorre muitos períodos antes e depois da primeira transmissão oficial. Em 1939, já havia algum tipo de transmissão particular no país. Em 1948, Assis Chateaubriand decidia se investia no modelo a cores ou preto e branco. Venceu o mais barato. E assim vai. Na primeira década da televisão brasileira, há muito o que se contar.

De um jeito ou de outro, é difícil destacar todos os acontecimentos. A partir de levantamentos do Centro de Cultura de São Paulo, mediado pelos pesquisadores Edgard Ribeiro Amorim e Flávio Luiz Porto e Silva, apresentamos uma cronologia da programação e de muitos dos principais acontecimentos que registraram os momentos pioneiros e experimentais da televisão brasileira.

No menu abaixo é possível ir direto ao ano de preferência ou correr o navegador por cada momento histórico da televisão brasileira que já foi rádio com imagens, espaço para vanguarda teatral e fonte de manifestações musicais, humorísticas e até circenses.

🔌 1939: Testes e mais testes

Apesar da TV ser inaugurada mundialmente em 1931, passaram-se oito anos para a primeira transmissão experimental de televisão no Brasil, utilizando equipamento alemão em um circuito fechado.


🗽 1948: Made in USA

Dono da cadeia de rádios Emissoras Associadas, Assis Chateaubriand decide implantar uma emissora de TV no Brasil. Para isso, visita os estúdios da RCA e NBC em Nova Iorque, nos Estados Unidos, para conhecer os equipamentos que seriam importados.


📻 1949: Rádio com imagem

A imprensa de São Paulo anuncia que um grupo de acionistas pretende instalar a TV Paulista. No livro TV Brasil, de Edgard Ribeiro Amorim, registra-se informações que não puderam ser confirmadas de que Chatô teria criado empecilhos ao projeto concorrente para que a TV Tupi fosse a primeira a ser inaugurada.

De acordo com a Revista O Cruzeiro, do grupo Diários Associados, Chateaubriand volta aos Estados Unidos, acompanhado por embaixadores brasileiros, para conhecer novos equipamentos de transmissão em cores nos estúdios da RCA. Devido ao alto custo e falta de capacidade técnica, ele optou por manter o modelo em preto e branco. Os funcionários da futura televisão seria a própria equipe das rádios dos Diários Associados que se desdobrariam entre as ondas sonoras e televisivas.


📺 1950: Ao vivo em preto e branco

O ano da inauguração da televisão é marcado por vários episódios. Em março, profissionais da rádio Tupi e Difusora vão ao porto de Santos recepcionar a chegada do equipamento comprado dos EUA. A comitiva chegou a desfilar pelo centro de São Paulo.

 

Câmeras e equipamentos para instalação da TV Tupi desfilam em caminhões por São Paulo-1950.
Câmeras e equipamentos para instalação da TV Tupi desfilam em caminhões por São Paulo-1950. Reprodução autorizada do livro História da TV Brasileira. Acervo AMM.CCSP

 

No dia 4 de junho, realiza-se a primeira transmissão da TV Tupi com apresentação musical de Frei José Mojica, famoso ex-ator de cinema. A transmissão foi feita no auditório do Museu de Arte de São Paulo, na Rua 7 de Abril. Diversos televisores foram expostos em lugares estratégicos e no saguão do edifício dos Diários Associados, mesmo prédio do museu, para exibir o evento.

Entre 20 e 26 de julho ocorrem transmissões do auditório da Faculdade de Medicina de São Paulo com o show chamado Vídeo Educativo.

No dia 10 de setembro, ocorre mais uma transmissão experimental com o ex-presidente Getúlio Vargas.


🎉 18/09: O Dia da Inauguração da PRF-3-TV

Tv Tupi , anúncio da RCA
Anúncio da RCA sobre a inauguração da TV Tupi – Tv Tupi/ RCA

 

No canto inferior do jornal, letras grandes e miúdas intercalavam um texto de divulgação: “Sonho que se faz realidade. Hoje em S. Paulo. A Televisão.  Inaugura-se à noite a P.R.F 3 – T. TV”.

Pode parecer estranho, mas a transmissão inaugural foi da Difusora PRF 3-TV. A emissora viria a ser chamada posteriormente de TV Tupi em associação à Rádio Tupi. As imagens da transmissão foram geradas nos novos estúdios construídos às pressas ao lado das instalações da Rádio Tupi no bairro do Sumaré. A retransmissão para o centro de São Paulo ficou por conta de uma antena instalada no topo do prédio do Banco do Estado de São Paulo.

 

Show Na Taba- programa inaugural da TV Tupi-1950. Na foto Lia Marques.
Show Na Taba- programa inaugural da TV Tupi-1950. Na foto Lia Marques. – Arquivo Multimeios. CCSP

 

Houve diversos problemas técnicos e a TV veio ao ar somente às 21 h com o espetáculo Show na Taba, que tinha música, humorismo, danças e quadros apresentados por Homero Silva. A atriz e cantora Lolita Rodrigues interpretou o Hino Nacional da TV, composto especialmente para a ocasião. Estima-se que haviam 300 aparelhos espalhados em pontos estratégicos de São Paulo, já contando com aqueles que Chatô distribuiu nas vitrines de lojas do centro.

O Brasil foi o quinto país do mundo a ter televisão, depois de EUA, Inglaterra, Holanda e França.

19/09: Estreia o primeiro telejornal da TV Brasileira: Imagens do Dia. Possuía texto e reportagens de Rui Rezende e cinegrafia de Paulo Salomão.

20/09: No jornal do dia, anunciava-se a programação que iria ao ar a partir das 20 h. Diferente de hoje, o final da noite era recheado de desenhos animados.

15/10: É realizada a primeira transmissão esportiva diretamente do estádio do Pacaembu em São Paulo, com o jogo São Paulo x Palmeiras. Por defeito técnico, somente o segundo tempo foi transmitido.

27/10: Vai ao ar o primeiro teleteatro da TV: A Vida por um Fio, com adaptação de texto e direção de Cassiano Gabus Mendes e estrelado por Lia de Aguiar.


🎥 1951: Dramaturgia na TV

Neste ano, Madalena Nicol torna-se a primeira profissional de teatro a se apresentar na televisão (Confira sua biografia no Museu Pró-TV). Começavam a ser fabricados no Brasil os primeiros televisores, mas ainda dependentes de componentes importados. O período é marcado pelo início do Grande Teatro das Segundas Feiras, com peças teatrais interpretadas por Madalena NIcol, Procópio Ferreira, Maria Della Costa, entre outros. A TV Tupi também inicia um programa infantil chamado Clube do Papai Noel, com apresentação de Homero Silva.

Em 21 de dezembro, vai ao ar o capítulo inicial da primeira novela brasileira: Sua Vida me Pertence, com Walter Forster (autor, diretor e galã da novela), Lia de Aguiar e Vida Alves. A novela teve 15 capítulos, sendo dois veiculados por semana. Nela, acontece o primeiro beijo frente às câmaras com Forster e Vida Alves, que faleceu em 2017. Confira a entrevista com a sua filha, Thais Alves, que transformou os estúdios da TV Tupi em seu quintal particular.

Aos poucos, a televisão ganha mais importância e sua programação deixa de ser noturna e começa às 17h30 com conteúdos dedicados a mulheres e crianças. Curiosamente, havia um intervalo de meia hora às 19h30 e a programação voltava ao ar às 20h. Enquanto isso, instala-se no Rio de Janeiro, então capital do país, uma nova emissora com uma antena fixada no topo do Pão de Açúcar, inaugurando-se assim a outra emissora da TV Tupi.


🎭 1952: TV de Vanguarda

A TV Paulista (Canal 5) é finalmente inaugurada pelo grupo empresarial liderado por Luiz F. Souza Meirelles e Nestor Bressane Filho. Ela torna-se a segunda televisão de São Paulo. Adaptou a obra Helena, de Machado de Assis, como uma telenovela exibida na estreia. Na sua programação havia espaço para o telejornal diário apresentado por Roberto Corte Real, além de programas infantis, musicais e humorísticos.

Na Tupi estreava o programa teatral TV de Vanguarda, com peças dirigidas por Dionísio Azevedo e outros. A Tupi também apostou no teleteatro infanto-juvenil Fábulas Animadas e com o seriado de sucesso Sítio do Pica-Pau Amarelo, baseado na obra de Monteiro Lobato.


🗞️1953: Jornalismo, testemunha ocular da história

Foi em 17 de junho que o noticiário Repórter Esso entrou ao vivo pela primeira vez nos televisores brasileiros. O jornal é considerado o programa noticioso mais conhecido desta primeira década da televisão brasileira.

A TV Paulista, por sua vez, colocou o circo dentro dos estúdios e levou ao ar o programa circense Circo do Arrelia.

Diferente das emissoras anteriores, a TV Record, canal 7, é inaugurada em 27 de setembro já instalada em um edifício próprio para sua emissora. No lançamento houve shows de Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso e Inezita Barroso.


🔎 1954: Audiência

Na Tupi, estreia o musical teatralizado Música e Fantasia e o seriado de aventuras Falcão Negro, interpretado por José Parisi.

Na TV Record, estreia o seriado Capitão 7, interpretado por Ayres Campos, e dirigido por Alvaro Moya. O programa ficou no ar por seis anos.

Seriado Capitão 7 - TV Record-1956. Na foto Ayres Campos e Idalina de Oliveira (sentados).
Seriado Capitão 7 – TV Record-1956. Na foto Ayres Campos e Idalina de Oliveira (sentados). AMM.CCSP  Reprodução autorizada do livro História da TV Brasileira. Acervo AMM.CCSP.

 

No jornalismo, destacam-se a cobertura sobre o 4º Centenário de São Paulo, a perda do título de Miss Universo por Marta Rocha, o suicídio de Vargas e a indicação de Juscelino Kubitschek para concorrer à presidência do Brasil.

O Instituto Brasileiro de Opinião Pública (Ibope) é criado e realiza no eixo RIo – São Paulo as primeiras pesquisas de audiência de TV dentro do período das 18h às 23h. Os levantamentos demonstram haver mais de 120 mil aparelhos de TV nesse eixo pesquisado.


🏭 1955: Industrialização em curso

Inicia-se no Brasil um processo de maior industrialização dos equipamentos televisivos. A válvula eletrônica passa a ser fabricada no Brasil pela Companhia Ibrape, acelerando o processo de nacionalização dos aparelhos de TV.

Talvez O Céu é o Limite seja o programa avô de muitos programas de perguntas e respostas na televisão Brasileira. Estreado pela TV Tupi, ele era apresentado como um programa educativo no qual convidados ganhavam prêmios em dinheiro dependendo das respostas a determinadas perguntas.

Programa Musical - TV Record-1955.

Programa Musical – TV Record-1955. – Arquivo Multimeios. CCSP.

⚽ 1956: Futebol “100 quilômetros a frente”

Pela primeira vez em SP, as três emissoras de TV reunidas (Tupi, Paulista e Record) arrecadavam mais dinheiro publicitário que as 13 emissoras do rádio paulistas juntas. As rádios deixam de ser a fonte de sustentação financeira das televisões.

A primeira transmissão de longa distância foi feita pela TV Record que transmitiu de Campinas para São Paulo um jogo de futebol com o slogan “100 quilômetros a frente”.

A política industrial de  Juscelino Kubitschek fomentou a produção de aparelhos receptores de TV totalmente brasileiros, permitindo o barateamento do equipamento.


📼 1957: Enlatados e videoteipes

A partir desse ano, torna-se comum o uso de séries cinematográficas importadas dos Estados Unidos. Já existiam 10 emissoras de televisão no Brasil, que passavam a trocar a programação mais intelectualizada por shows populares e humorismo.

A TV Tupi estreia o programa TV de Comédia, exibindo teleteatros dirigidos por Geraldo Vietri. Já a cantora Maysa estreia um programa na TV Record, sendo uma das primeiras intérpretes a fazer sucesso pela TV e não pelo rádio.

Ao mesmo tempo, ocorre a interiorização das transmissões para outras cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Enquanto isso, a TV Rio importa um aparelho de videoteipe e grava o programa Chico Anísio Show.

Mais emissoras começam a marcar presença. Inaugura-se a TV Rádio Clube de Pernambuco, em Recife, e a TV Alterosa, em Belo Horizonte.


▶️ 1958: É playback?

Em vez de shows totalmente ao vivo, o playback passa a reproduzir arranjos de orquestras para auxiliar cantores nos shows musicais. Assim, as grandes orquestras começam a sumir das frequências televisivas.

Nas obras no interior de Goiás onde se criava a nova capital do país, implanta-se também TV Nacional de Brasília, que é o embrião do que seria a TV Brasil e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A  sua estrutura, contudo, passa a funcionar dois anos depois, junto a inauguração da nova sede dos três poderes, no centro do país.


🐕 1959: Rin-Tin-Tin, ator canino

O final da década é marcada pela instalação da estrutura da TV Excelsior (canal 9) em São Paulo, que será inaugurada no ano seguinte. Ela será a grande concorrente da TV Tupi, inclusive estimulando a migração de artistas de uma emissora a outra. Em Porto Alegre, inicia-se a TV Piratini.

Neste ano, A TV Tupi lança Rin-Tin-Tin, primeiro seriado estrangeiro dublado em português. O declínio da primeira televisão brasileira, TV Tupi somente ocorrerá em 1980. Pela frente, ao menos duas décadas bastante marcantes.

A televisão já era assunto comum nos espaços públicos. Em outubro, o ministro da Justiça, Armando Falcão, assinou a primeira legislação regulamentando a censura de televisão no país.


📡 1960: Formação de rede em…

A TV Cultura, atualmente emissora pública do estado de São Paulo, é inaugurada pelos Diários Associados, de Chateaubriand. Em 1969 ela é lançada pela Fundação Padre Anchieta, produzindo programas educativos que são transmitidos para todo o Brasil via satélite.

Foi também na TV Cultura que se iniciou a programação do primeiro Telecurso, organizado pela Secretaria de Educação do Estado, para preparação aos exames de admissão ao ginásio.

Em 9 de julho de 1960, a A TV Excelsior é formalmente inaugurada, trazendo uma programação nacional mais objetiva e agressiva frente às concorrentes com shows, reportagens e teleteatros. O programa de destaque foi Brasil – 60, transmitido ao vivo sob o comando de Bibi Ferreira.

 

Programa Brasil 60. TV Excelsior-1960. Na foto Bibi Ferreira e Procópio Ferreira.
Programa Brasil 60. TV Excelsior-1960. Na foto Bibi Ferreira e o seu pai Procópio Ferreira. – AMM. CCSP.

 

O programa trazia músicas, entrevistas e variedades e inaugurou o estilo “revista” do horário nobre dos domingos.

Se o videoteipe já era comum em 1957, foi somente em 1960 que seu uso permitiu a industrialização da televisão por meio da comercialização de cópias de programas e formação de redes de emissoras com um mesmo programa exibido em vários locais do país.

O primeiro teleteatro gravado foi Hamlet, de Shakespeare, na TV Tupi, e dirigido por Dionísio Azevedo. Nos registros do livro Histórias da TV Brasileira, de Edgard Ribeiro Amorim. Laura Cardoso, que interpretou a rainha Gertrudes, contou que a gravação durou 48 horas ininterruptas.

Foi também no início da nova década que se deu a fabricação dos primeiros aparelhos de TV com transistores. Estima-se que haviam 700 mil aparelhos de televisão em todo o Brasil até então.

Outros fatos marcantes ocorrem na TV Rio com a estreia do programa Discoteca do Chacrinha, antigo sucesso no rádio, comandado pelo saudoso Aberlado Barbosa.

Em 21 de abril de 1960, Brasília é inaugurada como nova capital do Brasil e traz consigo a inauguração da TV Alvorada,  TV Brasília. A TV Nacional já funcionava em caráter experimental no dia da inauguração de Brasília, mas vai ao ar oficialmente em 4 de junho de 1960. Ela transmite a chegada do Presidente da República, Juscelino Kubitschek e sua comitiva. Ao mesmo tempo, a orquestra completa da Rádio Nacional toca o Hino Nacional Brasileiro com a regência do maestro Radamés Gnattali e o apresentador César de Alencar, sendo o primeiro programa da emissora.


Fontes e pesquisadores consultados para a criação da cronologia:

AMORIM, Edgard. A televisão brasileira. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1987.
AMORIM, Edgard. História da Televisão Brasileira: Centro Cultural São Paulo, 2008.

Flávio Porto e SIlva. Atuou no Departamento de Informação e Documentação Artísticas e, posteriormente (Idart), no Centro Cultural São Paulo, no resgate da memória do rádio e da televisão no Brasil, eixo São Paulo/Rio de Janeiro. Atualmente é professor titular da Faculdade Armando Álvares Penteado, atuando na área de Rádio e Televisão.

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Filha de Vida Alves atua para preservar memória dos pioneiros da TV

O Sitio do Picapau Amarelo -seriado- TV Tupi- 1952. Na foto Lúcia Lambertini.
Thais Alves é filha da atriz Vida Alves e do Engenheiro Gianni Gasparinetti. Divulgação

 

Leyberson Pedrosa e Luiz Claudio Ferreira – Brasília – Os estúdios de televisão eram como um quintal de casa para Thais Alves, quando criança. Filha da atriz Vida Alves (1928-2017) e do engenheiro italiano Gianni Gasparinetti (1949-1978), Thaís acostumou-se a ser rodeada pelos artistas brasileiros pioneiros da TV, muitos que já eram estrelas de radionovelas.

Hoje, por causa de um projeto implementado pela mãe, a Pró-TV (antiga Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira), busca preservar a memória da radiodifusão nacional e reestruturar o museu que mantinha vivas as relíquias daquele tempo de ouro da dramaturgia.

Em entrevista à Agência Brasil, a consultora em comunicação, de 66 anos, que vive em São Paulo, lembra a convivência com a mãe e explica os desafios para não deixar morrer essa história que completa 70 anos.

 

Agência Brasil: Podemos dizer que você nasceu dentro da TV?
Thais Alves: Eu cresci nos corredores  da TV Tupi, conhecendo os pioneiros de perto. Minha mãe era Vida Alves, que tinha formação em direito. Parece que ela foi exercer a profissão depois que já era atriz da rádio de São Paulo. Aí veio a televisão e ela migrou para a TV. Ali, conheceu o meu pai, Gianni Gasparinetti, que veio da Itália para ajudar na na montagem técnica da televisão. E eles trabalhavam muito. Por isso, realmente eu ia na cestinha com a minha mãe e todo mundo me pegava no colo lá.  Para mim, a TV era o quintal da minha casa e era muito divertido.

Agência Brasil: Essa primeira década da TV tem um toque especial por causa do pioneirismo?
Thais Alves: Essa década foi feita de ousadia. Juntam a inovação e o prazer de fazer. Essa primeira leva dos pioneiros realmente eram especiais. Eles tinham todo esse pessoal, a Vida, o Lima [Duarte], a Laura [Cardoso], o Dionísio Azevedo. Eles tinham ousadia até porque não tinham a informação de como fazer.

Eles eram ousados e, se você ousa, você não tem medo e quando você não tem medo…

Agência Brasil: Afinal, quem foram estes pioneiros?
Thais Alves: Na inauguração, minha mãe tinha uns 22 anos e meu pai pouco mais de 30. Os pioneiros estavam todos nessa faixa de 20 e poucos anos e todos vieram do rádio. O Chatô [empresário Assis Chateaubriand] não colocou um anúncio ‘precisa-se de atores e técnicos’. Foi todo o pessoal que já estava no rádio. Nem os atores nem os técnicos sabiam o que iriam fazer. Tanto é que o Lima Duarte era sonoplasta na rádio e ele me contou que um diretor falou pra ele: imagina você ser ator, você tem voz de sovaco. E olha só, com “essa voz de sovaco” ele se tornou esse grande mestre da teledramaturgia.

Agência Brasil: Seus pais demonstravam algum clima de temor de que a TV substituiria a rádio?
Thais Alves: Quando eu tinha 20 anos, achava que tudo era muito fácil. Tenho a impressão que, com eles, aconteceu a mesma coisa. Eles nunca demonstraram essa preocupação. Mas contavam os erros, que era tudo ao vivo.

Agência Brasil: Pode-se dizer que os pioneiros eram mais eruditos?
Thais Alves: Eles acabaram popularizando peças de teatro, grandes espetáculos para pessoas que jamais teriam condição de chegar perto. Nesse sentido, era uma televisão mais preocupada com esse padrão cultural e tem a ver com a evolução dos tempos.

Caminhão de transmissão da Tv Tupi
Caminhão de transmissão da Tv Tupi – Fundação/ Assis Chateaubriand

 


O papel de Vida Alves

 

Sua Vida Me Pertence - primeira telenovela da Televisão Brasileira - TV Tupi-1951. Na foto Vida Alves e Walter Foster.
Vida Alves e Walter Forster em cena da novela “Sua Vida me Pertence”, onde houve o primeiro beijo televisionado.
Reprodução do livro História da TV Brasileira, de Edgard Ribeiro Amorim. Acervo da AMM.CCSP.

 

Agência Brasil: Como você avalia o papel da sua mãe Vida Alves nisso tudo?
Thais Alves: Os trabalhos que minha mãe fez em televisão sempre foram pioneiros tanto é que ela deu o primeiro beijo na televisão. Ela também fazia um programa interativo, ao vivo, que tinha dois finais. Chamava-se Tribunal do Coração e tinha um júri de pessoas que, dependendo do que o júri decidir, culpada ou inocente, já tinha um final preparado para cada ocasião.

Agência Brasil: Por que a Vida Alves não estava no primeiro dia da TV?
Thais Alves: Ela estava grávida do meu irmão. E estava com um barrigão que foi considerado deselegante. Um exemplo da visão da época é que o primeiro beijo (em cena com o ator Walter Forster) não foi fotografado porque o fotógrafo que acompanhava entendeu que não se poderia registrar aquele momento. Havia tabu com isso naquela época. Veja que não temos registro do beijo por causa desse senso moral. Vida Alves também protagonizou o primeiro beijo em outra mulher (em cena com a a atriz Geórgia Gomide).

Agência Brasil: Você tinha essa noção de que sua mãe era uma pessoa à frente do tempo dela?
Thais Alves: Ela era uma mãe normal. É claro que eu mais madura enxergo minha mãe assim. Hoje eu vejo o pioneirismo dela. Olha, ela fez o primeiro programa de temas femininos, que ia ao ar à meia-noite e tratava temas considerados tabus para a época, como questões  de sexualidade. Imagina isso tanto tempo atrás. Desde o começo, eles tiveram postura de vanguarda. Eu me lembro de uma mãe de uma colega minha na escola. Eu devia ter uns seis ou sete anos de idade. Eu semelhante escutei a mãe da minha amiguinha falando com ela para não brinca comigo porque eu era filha de artista.

Agência Brasil:  Os pioneiros se preocupavam com a audiência? [O Ibope surge em 1954].
Thais Alves: Eu sentia que eles faziam pelo prazer de fazer tanto que eu fui trabalhar na TV Tupi quando tinha uns 14 anos, claro que foi a minha mãe que me colocou lá, e eu fui trabalhar no departamento que cuidava do Ibope. Não era uma coisa que ecoava pelos corredores dos artistas.

Agência Brasil: Era uma televisão para poucos?
Thais Alves: Na época, era famoso o ‘televizinho’, que alguém compra uma televisão e todos os vizinhos iam assistir. No meu caso, não era forte porque meu pai começou a trabalhar com televisão. Então lembro que a casa que a gente morava tinha um porão e lá era oficina dele. Para mim era comum porque era a mãe trabalhando lá na frente das câmeras ou era o pai primeiro consertando e depois montando as suas próprias televisões. Eles eram muito iguais. Não tinham tinham grandes estrelas. Então, eles eram um time. Isso é legal.


A memória da primeira década

Agência Brasil: Como surgiu a associação dos pioneiros da televisão?
Thais Alves: Minha mãe ficou afastada da televisão e, com o passar do tempo, ela falou: ‘puxa vida, o que que vai acontecer com a história da televisão?’ Foi aí que ela criou o Pró-TV [antes chamado Apite] para guardar a memória. Ela começou a gravar Dias Gomes, a gravar esses pioneiros que, infelizmente, quase todos já se foram. Mas minha mãe ficou doente há cinco anos atrás eu assumi a Pró-TV a pedido dela. [Vida Alves faleceu em 2017].

Agência Brasil: E como está a situação atual do museu criado por sua mãe?
Thais Alves: Nesses cinco anos prá cá eu não consegui achar recursos ou órgãos públicos que ajudem a  manter o acervo. Manter um acervo de peças antigas é um sofrimento. Antes, o Pró-TV era em uma casa enorme, na casa da Vida, com dois andares, espaço imenso, cabiam 200 pessoas no salão. Com o falecimento da minha mãe, a casa foi vendida e o museu ficou desalojado. A gente arrumou um espaço no centro de São Paulo, armazenamos tudo.

Agência Brasil: E qual é a alternativa para manter essa memória viva?
Thais Alves: A gente está fazendo uma vaquinha virtual para pedir apoio. Cada emissora tem seus próprios centros de documentação e problemas para gerir e ainda ajudar uma associação. Então, a gente está no momento  sem saber o que fazer. Eu não tenho mais como manter a estrutura porque tinha funcionário, tem luz, internet, tem vários custos. Então, ou a gente parte para uma ajuda mesmo ou eu não sei mais o que fazer.

Agência Brasil:  Como você entende o improviso daqueles tempos com o improviso atual diante de um cenário de pandemia, com menos acesso a estúdio e externas?
Thais Alves: Acho muito interessante isso porque a gente está aprendendo a fazer, a se reinventar. Estão se recriando inclusive no formato da internet né.  Eu acho que a TV tem que aprender com esse com essa linguagem

Agência Brasil: Como fica a memória desse tempo em que gravar a programação não era bem a opção?
Thais Alves: Verdade. Quase tudo que podia ter sido gravado sumiu ou, infelizmente, o fogo destruiu. As emissoras também não tinham fitas em quantidade, então pegavam as já usadas e gravavam de novo.

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Equipamentos do Museu Radiobrás

A TV Brasil e os 70 anos da televisão

 

Alessandra Esteves e Maria Carnevale – EBC – Brasília – A TV Brasil entrou no ar no dia 2 de dezembro de 2007 e nasceu da criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por meio do Decreto nº 6.246 de 24 de outubro de 2007. Sucessora da TV Nacional e da TVE Brasil (antiga TVE do Rio de Janeiro e TVE Maranhão), o início de sua história, portanto, remonta aos anos 60, cujos pilares foram os ideais de construção de um projeto de TV educativa no Brasil.

Em 1967 foi criado o Centro Brasileiro de TV Educativa (CBTVE), com o objetivo de produzir, adquirir e distribuir material audiovisual para uso em televisão educativa. No mesmo ano, passou a se chamar Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa (FCBTVE).

O primeiro estúdio de circuito fechado foi montado em um apartamento em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, onde a fundação se instalou. Em 1970, a Alemanha doa, por intermédio da Fundação Konrad Adenauer, equipamentos ao Centro Nacional de Produção de Televisão Educativa – Telecentro – sob os cuidados da FCBTVE. Como contrapartida, o compromisso de construir um local adequado para a instalação de um centro de produção. A concessão do canal 2 só ocorreu em 1972, e a TV Educativa do Rio de Janeiro foi inaugurada em 1975.

Primeira telenovela educativa

Novela João da Silva
Programa supletivo João da Silva – Acervo EBC/TVE

 

A produção Curso Supletivo João da Silva foi a primeira do gênero no país e estreou em 26 de novembro de 1973. Com “João da Silva”, estrelado pelo ator Nelson Xavier, a FCBTVE implementou um novo conceito de educação voltado para adultos por meio da teledramaturgia. Pioneiro na tele-educação, recebeu Prêmio Especial pelo júri internacional do Prêmio Japão, concorrendo com 102 países.

 

Turma Lambe, Lambe e Pluft
Turma Lambe, Lambe – Acervo EBC/TVE

 

Com programação diversificada, a TVE RJ produziu programas que marcaram época, com seus infantis, musicais, programas jornalísticos, educativos e de debates. Sucessos do público infantil como A Turma do Lambe-Lambe e Pluft, O Fantasminha. Além dos programas Sem CensuraOs AstrosÁgua VivaObservatório da ImprensaTribunal da História e Eu Sou o Show.

Já a TV Educativa do Maranhão, criada em 1969, foi a segunda emissora maranhense a entrar no ar. Pioneira no ensino a distância no Brasil, foi a primeira emissora do país a transmitir aulas pela TV, tendo como objetivo principal a ampliação e democratização do acesso à educação.

Os bons resultados do sistema de ensino da TVE-MA, logo após o primeiro ano de funcionamento em circuito fechado, levou o governo a criar a Fundação Maranhense de Televisão Educativa em circuito aberto, ampliando o seu alcance com a concessão do sinal do canal 2.

A programação da TVE-MA com programas voltados para a divulgação de manifestações culturais maranhenses, programas informativos e jornalísticos, teve seu valor reconhecido com a conquista do Troféu Guarnicê, com o vídeo Crepúsculo Verde, e com o Prêmio ABD, pelo melhor roteiro sobre o Patrimônio Histórico de São Luís. Dentre vários programas produzidos pela emissora, destacam-se: Maranhão NotíciasAbrindo o JogoDebate Esportivo e Hoje em Foco.

 

TV Nacional

Em 1960, no mesmo ano da inauguração de Brasília, surgia a TV Nacional, outro legado herdado pela EBC, fruto da incorporação da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás). Sua inauguração, em 4 de junho, contou com a presença da comitiva do presidente Juscelino Kubitschek e foi marcada pela apresentação do Hino Nacional pela Orquestra da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, regida pelo maestro Radamés Gnatalli.

Parceira das TVS comerciais

Sintonizada no canal 2, a emissora foi a terceira a se instalar na capital e rapidamente se estabeleceu como uma parceira para as demais emissoras de TV que, à época, ainda não possuíam transmissoras na capital. “A TV Nacional retransmitia o Jornal Nacional e até as novelas quando a Rede Globo ainda não estava em Brasília. Retransmitia, também, a programação de outros canais, como a Bandeirantes (Band) e a TVS (SBT). Alcançávamos uma grande audiência e o nosso maior concorrente era a TV Tupi,” lembra o produtor e ex-diretor de Operações da Radiobrás José de Arimatéia.

A parceria com as emissoras de TV foi além da retransmissão da programação e se consolidou com a cobertura e a coordenação da transmissão de grandes eventos, como as posses presidenciais, os desfiles de 7 de setembro e a distribuição do horário eleitoral gratuito.

Brasilienses

Ao chegar à recém-inaugurada Brasília, uma das preocupações da TV Nacional também foi a de atender a população da capital. Para isso, a produção local ocupava um grande espaço na grade da TV por meio de programas de auditório e da cobertura de eventos esportivos. “Era o nosso carro-chefe, esses eventos nos aproximavam da comunidade. O reconhecimento foi tanto que o principal ginásio da cidade ganhou o nome do nosso editor de esportes, Nilson Nelson.”, afirma Arimatéia.

Jornalismo raiz

A cobertura das principais notícias do governo federal foi um ponto forte da TV Nacional, mas exercer a profissão em um período sem internet, computadores ou celulares era um desafio para poucos, como afirma a jornalista e diretora de Jornalismo da EBC, Sirlei Batista.

Há 43 anos na empresa, Sirlei relembra a agitada rotina de quem acompanhou 11 presidentes da República. “A proximidade com o poder sempre nos exigiu muita ética e responsabilidade, além disso o repórter precisava estar realmente preparado para fazer uma matéria, você ia para a rua e praticamente não havia comunicação com a redação. Quando tinha um orelhão, era uma disputa para pegar o primeiro lugar na fila.”

Ainda de acordo com Sirlei, os equipamentos de TV também passaram por grandes transformações. “No início os equipamentos eram muito pesados e usavam filmes que precisavam ser revelados antes da edição. Era trabalhoso, mas muito gratificante.”

Sirlei Batista fala sobre a história da televisão
Sirlei com o cinegrafista Sérgio, meados de 1975/1976, com a câmera CP que precisava revelar
o filme antes da edição – Acervo EBC/TVE

TV Brasil

Hoje, a TV Brasil continua construindo a história da TV pública no Brasil, por meio de sua programação variada, entretendo, educando e informando. Em sua grade de programação destacam-se o premiado Caminhos da ReportagemStadium, Sem CensuraRecordar é TVMúsica AnimadaParques do BrasilBrasil em Dia e Repórter Brasil.

A Gerência de Acervo guarda uma parte da história dos 70 anos da televisão no Brasil, com a missão de preservá-la e garantir acesso a esse importante acervo audiovisual.

Para conhecer e consultar o acervo da EBC envie e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br